Post escrito por Clodagh Beaty, Co-fundadora do Barómetro de Salário Emocional

Porque é que trabalha? O que ganha com o seu trabalho? Além do óbvio (ganhar dinheiro) existem benefícios não financeiros ou emocionais que obtemos pelo facto de trabalharmos. Esses benefícios emocionais ou o “salário emocional” têm uma relação direta com a nossa felicidade no trabalho – muito mais do que o nosso salário financeiro. Quanto maior o nosso salário emocional, mais felizes ou mais satisfeitos provavelmente estaremos com o nosso trabalho. O salário emocional é algo diferente para todos. Duas pessoas que fazem exatamente o mesmo trabalho na mesma empresa, com o mesmo líder e com o mesmo salário financeiro, valorizarão coisas diferentes. Por isso, o seu salário emocional não será o mesmo. Da mesma forma, o salário emocional varia com o tempo. Tal como acontece com a felicidade precisamos assumir a responsabilidade, agir e fazer o possível para que isso aconteça.

Mas o que é exatamente é o salário emocional?
Aqui ficam alguns elementos que provavelmente compõem seu salário emocional:

– Ter a liberdade de gerir o seu estilo de trabalho, projetos e tempo;
– Sentir-se envolvido, apreciado e valorizado no trabalho;
– Ter a possibilidade de desenvolver e expressar ideias criativas;
– Ser capaz de co-criar uma carreira profissional satisfatória;
– Desenvolver relações sociais autênticas e divertir-se no trabalho;
– Poder ser inspirado por pessoas ou ambiente de trabalho;
– Ter a possibilidade de trabalhar para a excelência e/ou domínio do seu trabalho;
– Ter oportunidade de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal;
– Poder desenvolver os seus talentos, competências e habilidades profissionais;
– Sentir que está a contribuindo para um propósito maior.

Porque devo dar atenção ao meu salário emocional?
Falamos sobre o viés da negatividade anteriormente noutro blog . Tendemos a concentrarmo-nos mais no negativo do que no positivo, o que significa que quando pensamos no nosso trabalho podemos ter uma maior tendência a passar tempo a pensar no que não está a correr bem, e não no que está a ir bem. Isso pode fazer com que nos sintamos infelizes, pouco comprometidos ou desmotivados.

Outra teoria psicológica, a “hedonic treadmill” sugere que com o tempo nós acostumamo-nos ou tomamos como certo coisas positivas que acontecem connosco, podendo criar a perceção interna de que somos menos felizes com as mesmas coisas. Isso significa que, com o tempo, enquanto a nossa situação de trabalho não pode mudar, a nossa satisfação com ela pode diminuir. Ter constantemente consciência do nosso salário emocional ajudar-nos-á a apreciar e a valorizar os benefícios emocionais que obtemos enquanto trabalhamos e, portanto, continuamo-nos a esforçar para obter mais do que valorizamos.

Como posso conhecer o meu salário emocional?
Uma maneira simples é pegar numa caneta e num papel e anotar todos os benefícios emocionais que obtém pelo facto de trabalhar. Se está com dificuldade em identificar alguns desses benefícios, reveja a lista a cima e pense na forma como eles se relacionam com o seu trabalho. Ficam aqui alguns exemplos mais específicos para lhe dar algumas ideias:

  • Viajar para diferentes países e visitar lugares que normalmente não visitaria, ajuda-me a crescer como pessoa;
  • Trabalhar com pessoas que considero amigas e ter ótimas relações com pessoas que de outra forma não teria tido a possibilidade de conhecer;
  • Ajudar os clientes a resolver os seus problemas, sando que isso facilita as suas vidas, permite-me sentir que estou a fazer diferença na vida de muitas pessoas;
  • Ter uma estrutura durante o meu dia que me permite desenvolver os meus pontos fortes, talentos e competências.

Como posso melhorar o meu salário emocional?
Olhe para a sua lista – existe alguma forma de ter mais do que listou? Veja a lista dos diferentes elementos do salário emocional a cima. Atribua a si mesmo uma pontuação de 0 a 10 para cada um deles. Olhe para os três elementos com uma pontuação mais baixas e pense no que pode fazer para aumentar o seu salário emocional através deles.

Caso se sinta bloqueado, aqui ficam 10 ideias para o ajudar:

  1. Defina um objetivo para o qual gostaria de trabalhar nos próximos seis meses.
  2. Pergunte aos seus colegas o que eles apreciam em si e anote o que eles dizem. Leia essas notas sempre que desejar sentir-se apreciado. Pode fazer o mesmo com os seus colegas, dizendo-lhe o que aprecia neles.
  3. Pense na forma como a sua função, ou a função que exerce dentro do seu departamento, está relacionada com os objetivo da empresa. Ao fazer o seu trabalho influencia positivamente a vida de quantas pessoas?
  4. Converse com alguém de outro departamento ou empresa, com clientes ou fornecedores e pense no que pode fazer de diferente no seu trabalho.
  5. Reveja as diferentes opções que têm para desenvolver sua carreira (não apenas na vertical!).
  6. Organize ou participe numa atividade divertida com seus colegas, dentro ou fora do local de trabalho.
  7. Identifique alguém na sua empresa ou profissão que o inspira. Pense na forma como essas pessoas o fazem e na diferença que isso faz na sua vida. Fale com elas e diga-lhes isso.
  8. Identifique alguém com a mesma profissão que a sua e que considere excelente. Entre em contacto e procure saber mais sobre eles. Pode até sugerir que eles sejam seus mentores.
  9. Analise as suas interações no trabalho durante um dia. No final do dia, pense no que poderia ter feito ou dito de maneira diferente para ser um Ser Humano melhor.
  10. Identifique uma tarefa desafiante que tem no seu trabalho e fale com o seu líder sobre como ele e a equipa o podem ajudar a cumpri-la.

Passamos tanto tempo a trabalhar que é importante aproveitar ao máximo o tempo e as oportunidades que temos no trabalho. Para tal, é essencial conhecer o nosso salário emocional e o dos nossos colegas. Depois de identificarmos o que é importante, podemos agir para obter mais do que valorizamos, aumentar o nosso salário emocional e tornar os nossos locais de trabalho em lugares mais feliz.